Não fui criado por meus pais biológicos e tive pouco contato com eles.. o pouco que tive não foi la muito satisfatório. Pessoas inseguras, fracas e irresponsáveis; sem contar que não os achava muito inteligentes também. Afinal, pelas minhas contas eram bem mais novos que eu sou hoje quando me fizeram, e nem quero imaginar as circunstâncias. Não só pelo asco de imaginar os dois na ação, mas pq imagino que foi uma daquelas fodinhas atrás de algum muro, ou arquibancada de quadra de bairro, algum lugar cheio de glamour como esses.
Fico imaginando como eu seria se tivesse sido criado por eles, com todo o esforço para me dar boa criação eu já não sou lá grandes coisas, imagina sendo criado por uma pessoas sem o menor senso do que é a vida, não têm hoje, imagina a algumas décadas atrás.
E como eu comecei o texto, a paternidade como figura de interferência e importância na vida da criança pode, e geralmente é, transferido facilmente para outra pessoa, ou as vezes, objeto. Não necessariamente a pessoa tem que saber quem a fez para ser feliz, e digo que em alguns casos a ignorância é REALMENTE uma bênção. Por mais que diga que não, a pessoa cria uma expectativa sobre o desconhecido, imagina o pai ou a mãe desconhecidos como os pais daquele seu amigo abonado ou daquela amiga libertária e gente boa.
Aí que vem a primeira pedrada; Mano, se eles fossem bacanas não teriam feito merda ou teriam assumido a cagada que fizeram. Então depois dessa vem a segunda pedrada, você saca que foi literalmente largado por aqueles dois imbecis, nesse ponto você como filho sem pai nem mãe pensa: "Se esses dois aí que não sabem a diferença entre arroz e macarrão, não me quiseram, ou eu valho menos que bosta mesmo ou a pessoa que me criou me ama muito mesmo, ou eh mais idiota que esses dois aí que me fizeram.". Por experiência própria, em geral a primeira opção é a que cola.
Ficaria tudo bem se não fôssemos curiosos e idiotas demais quando crianças. Vem aquele sentimento de "porra, meus amigos tem os pais, porque eu não?" Hoje eu penso algo como "graças a deus ou seja lá quem manda, esses dois tiveram a decência de sumir da minha vida"; mas como toas as crianças, com ou sem pais, eu era um idiota, quis conhecer os meus progenitores. Desse ponto pra frente que hoje eu vejo que minha vida começou a degringolar. Onde tudo começa a esquentar ate fervilhar quando eu percebi que por mais que eu não tivesse nenhuma culpa da cópula desprotegida dos dois animais que me fizeram, conhece-los ferrou toda minha cabeça. devia ter ficado feliz e satisfeito com o que eu tinha ate aquele momento.
Mas a bendita curiosidade e uma certa inveja dos meus amigos que tinham uma "família formada" me fizeram ver que nem sempre a grama é mais verde do outro lado da cerca, a minha no caso tava mais murcha que alface de fim de feira. Mas fazer o que né? Nos viramos com o que tenho e vivo a vida, pelo menos os danos não foram o suficiente pra eu me tornar um exemplo de "como não fazer" que eles são.
H.L.
Nenhum comentário:
Postar um comentário