sexta-feira, 25 de agosto de 2017

   Estamos tão acostumados a nos esconder por traz de um fingimento, de um padrão fraudulento que quase não nos permitimos aproveitar coisas que a vida nos oferece ou que queremos procurar para satisfazer. Digo isso em todos os âmbitos possíveis, desde a roupa que vestimos ate o que fazemos sem roupa. Vou me apegar nesse ultimo por hora. Parece que ninguém aproveita mais a vida além de tomar conta do cu dos outros e o que enfiam ou deixam de enfiar lá.
   
   O hétero sexual padrão hoje é uma piada ridícula e uma fantasia que muitas pessoas ainda travestem; tanto homens como mulheres sentam sobre suas taras para julgar e apontar com o dedo do meio fedendo para as pessoas que tiveram o desplante de exteriorizar todos os anseios que viviam na sua mente e corpo. De dentro da sua armadura de "pessoa de bem" tecem piadinhas preconceituosas e alimentam o monstro do medo, o medo de abrir a carapaça e experimentar tudo o que o mundo oferece, medo do julgamento que o restante do exercito armadurado esta pronto pra fazer, enquanto cala o medo com todas as forças.

    Lingeries provocantes, brinquedos sexuais, fantasias diversas e posters de pessoas nuas são escondidas em caixas de sapato no fundo do armário e por vezes apenas exibidos a profissionais do sexo; que via de regra; estão ali pra isso, para cumprir seu papel sem julgar o cliente, sem ridicularizar ou rebaixar. Pelo menos é isso que se espera. Mas também somos anônimos, usamos nomes errados, telefones pré-pagos que ninguém mais tem o numero, a fim de reforçar a armadura e alimentar o medo. Afinal ele precisa crescer forte e sadio, latindo hipóteses de como seriam as coisas caso nos descobrissem, ou como seria bom se houvesse um par com o qual todo aquele circo pudesse ser compartilhado. Porém como saber? Como imaginar que debaixo de toda a proteção e distancia que todos nós mantemos uns dos outros pode haver a pessoa que está pronta a dividir e comungar de desejo? Não é como perguntar: "Qual seu sabor favorito de pizza?".

    A opressão contra os corajosos que se aventuraram fora da pesada armadura que construimos durante toda a vida é pesada e implacável. Assistimos a isso e por vezes repetimos a opressão como papagaios retrógrados e imbecis, dando assim mais um bom bife de preconceito para nosso medo, passando mais uma demão de verniz na couraça enquanto abre mais uma janela anônima no navegador, para um site que já se sabe o endereço de cor. Uma mão no mouse e outra na masturbação, um olho na tela e outro no colega ao lado, vigiando-o para não fraquejar, esperando que ele abra a defesa e se revele, mas não veja o que escondemos, que não encontre aquela caixa no armário, que não conheça aquela pessoa que nos satisfez ou, que deus nos livre, seja aquela pessoa que trocamos confidencias e caricias virtuais.

   Já pensou em como seria se dissesse a seu par que gosta de um dedo aqui, um tapa ali, ou como seria escutar que seu par quer tentar isso ou aquilo com você. Se não precisasse de usar a armadura o tempo todo. Encontrar a pessoa que pudesse falar REALMENTE de tudo. Dizem que algumas pessoas conseguem tal façanha, mas imagino que seja como enterro de anão e cabeça de bacalhau, todo mundo diz que existe, mas quem realmente viu?

HL

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